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11 de agosto de 2020

As figuras de linguagem na construção do texto

As figuras de linguagem na construção do texto

Leia esta tira:


1 – Na fala do primeiro quadrinho da tira, Rato Ruter anuncia a leitura de um poema de sua autoria intitulado "Hoje é um dia feliz". Ao ouvir o título do poema, Níquel Náusea comenta: "Que ironia!". E, no 2º quadrinho, responde à pergunta do Rato Ruter: "Hoje era um dia feliz!".

a) Por que a forma verbal era, no 2º quadrinho, está grafada com destaque?


b) Qual é a relação entre a mudança feita por Níquel Náusea no título do poema e do comentário "Que ironia!", feito por ele no 1º quadrinho?

 

 

2 – A personagem Rato Ruter não entende o que Níquel Náusea quis dizer e, no 3º quadrinho, pergunta qual é o significado de ironia.

a) Nesse quadrinho, Níquel diz que está “louco de vontade de ouvir” o poema. Observe a expressão facial dele nos três últimos quadrinhos e conclua: Ele está mesmo com vontade de ouvir o poema? Justifique sua resposta.

 

b) Ao responder que ironia não quer dizer nada e em seguida dizer que está louco de vontade de ouvir o poema, Níquel Náusea usa a figura de linguagem chamada ironia. Justifique esta afirmativa.

 

c) O que a tira deixa claro quanto ao processo de construção da figura de linguagem chamada ironia?

 

 

3 – Segundo consta no site da personagem Níquel Nausea, Rato Ruter é “um rato mutante que tem o peso de um gato gordo, a capacidade digestiva de um tanque de ácido sulfúrico e o temperamento de uma motosserra desgovernada”. Com base nessa descrição, levante hipóteses: Por que Níquel afirma, no final, que está interessado em ouvir o poema de Rato Ruter?



CEREJA, Willian Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português Linguagens, 8º ano - 9 ed. reform. - São Paulo: Saraiva, 2015.

8 de agosto de 2012

Figuras de linguagem




      Quando a personagem da tirinha disse que "Elis Regina está morrendo de inveja", vemos que não se referiu à morte, apenas exagerou propositalmente, ou seja, Elis Regina estava com muita inveja. Esse uso figurado da linguagem chama-se hipérbole. Entretanto, o que conferiu maior humor foi a ironia, outra figura de linguagem presente no último quadrinho. Ao contrário do que entendeu a personagem cantora, seu interlocutor não elogiou, fez uma crítica ao dizer que "Elis Regina está morrendo de inveja".
     São várias as figuras de linguagem, vejamos algumas.
     Catacrese: Inside no uso impróprio de uma palavra por falta de outra, desvia uma palavra do seu sentido próprio para dar nome a alguma coisa que necessita de denominação por não possuir uma própria. É considerada uma forma de metáfora, pois basea-se na semelhança de forma ou função de seres, mas que tornou-se de uso corriqueiro.
     A perna da mesa está estragada.
     Embarcarei naquele avião gigantesco.
    
     Comparação: Estabelece um paralelo entre dois significados, uma equivalência, com intuito de realçar uma semelhança.
      Você é bela como uma flor.
      Meu pai ficou bravo como um leão quando viu minhas notas.

     Metáfora: É uma forma de comparação, mas sem elementos de ligação (como, tão/quanto). Atribui características que não cabem logicamente. Baseia-se numa associação de ideias subjetivas.
       Você é uma flor.
       Meu pai virou um leão quando viu minhas notas.

     Metonímia: Consiste em substituir uma palavra por outra, mantendo uma relação lógica de significado entre as palavras. Realiza-se, por exemplo, destes modos:
a) Autor pela obra: Laura gosta de ler Rubem Alves.
b) Conteúdo pelo continente, ou o contrário: Bebi dois copos.
c) Efeito pela causa, ou o contrário: Bebeu a morte.
d) Inventor pelo invento: Marta comprou um Ford.
e) Parte pelo todo, ou o contrário: Leandro comprou três cabeças de gado.
f) Lugar pelo produto feito no lugar: Em nosso aniversário, bebemos um porto.

     Personificação ou prosopopeia: É a atribuição de ações, características ou sentimentos humanos a seres inanimados.
     Com esta chuva as plantas ficaram felizes.
     "O tempo passou na janela e só Carolina não viu"
    

6 de agosto de 2012

Figuras de linguagem ou figuras de estilo?


     Alguns autores usam o termo figuras de estilo, entretanto sugerimos figuras de linguagem, pois tem o mesmo significado e é uma expressão mais comum no Brasil.

     As figuras de linguagem são definidas como desvios das formas gerais da linguagem, recursos que consitem em apresentar uma ideia através de palavras ou construções incomuns. Portanto, consistem em táticas que podem ser usadas para conseguir maior expressividade ou um efeito determinado na interpretação. Observe alguns exemplos:
Ele é um macaco. (metáfora)
Você é bela como uma flor. (comparação)
Morri de rir. (hipébole)
O pé da cadeira está quebrado. (catacrese)

     As figuras de linguagem são usadas não apenas em textos literários, podem aparecer no cotidiano das pessoas, na propaganda, na imprensa, na música...



23 de março de 2012

Substantivo: conceito e classificação

Substantivo é a palavra dá nome a tudo que existe ou imaginamos, portanto, podemos afirmar que é a palavra que nomeia os seres em geral e as qualidades, ações ou estados que se relacionam a eles.
Exemplos: América do Sul, Brasília, pessoa, José, cadeira, artista, beleza, mergulho e felicidade.
Observação: É considerado substantivo qualquer palavra que puder ser precedida de artigo, pronome possessivo, demonstrativo ou indefinido.

Classificação do substantivo
Por causa da grande variedade de coisas que nomeia e das diferentes maneiras pelas quais ele se forma, é preciso classificar os diferentes tipos de substantivos: próprio, comum, simples, composto, primitivo, derivado, concreto, abstrato e coletivo.

Próprio e comum
· Próprio: indica um só ser de uma mesma espécie, ou seja, denominam um elemento particular de uma espécie.
Ex.: Paulo, Nova Nazaré, Mato Grosso e Brasil.
Os substantivos próprios devem ser grafados com inicial maiúscula.
· Comum: indica todos os seres de uma mesma espécie, qualquer ser de uma espécie.
Ex.: homem, cidade, estado e país.

Simples e composto
· Simples: é formado por apenas uma palavra.
Ex.: batata, doce, flor e couve.

· Composto: é formado por duas ou mais palavras.
Ex.: batata-doce, couve-flor, girassol e pé-de-moleque.


Primitivo e derivado
· Primitivo: não deriva de outra palavra, ao contrário, pode dar origem a outra palavra.
Ex.: árvore, escada, ferro, piano e barba.
· Derivado: deriva de outra palavra, ou seja, é formado a partir de outra palavra.
Ex.: arvoredo, escadaria, ferreiro, ferradura, ferramenta, pianista, barbeiro e barbearia.

Concreto e abstrato
· Concreto: indica um ser de existência independente, portanto, podemos dizer que designa o ser propriamente dito, que tem existência própria, seja ele visível ou invisível, real ou imaginário, material ou espiritual.
Ex.: terra, ar, relógio, fada, casa e Deus.
· Abstrato: indica um ser de existência dependente, ou seja, designa coisas que só existem em outro ser, que são concebidas pela nossa consciência, podendo exprimir ação, sensação, estado ou qualidade dos seres.
 Ex.: alegria, amor, ódio, mentira, justiça e verdade.

Observação: Como Sacconi muito bem explica, substantivo concreto não é “aquele que a gente pode pegar”, como muita gente pensa. Por exemplo, ar é substantivo concreto e ninguém consegue pegar. Ar é um substantivo concreto, porque não depende de nós para existir, portanto sua existência é independente. Já amor é substantivo abstrato, pois é um ser dependente de nós para existir, se não existíssemos, não existiria amor. Lembre-se que o substantivo abstrato pode exprimir ação, sensação, estado ou qualidade dos seres.


Coletivo
· Coletivo: é o substantivo que, no singular, indica uma porção de seres da mesma espécie.
Ex.: cardume, fauna, cacho, réstia e colmeia.   


REFERÊNCIAS
SACCONI, Luiz Antonio. Novíssima Gramática Ilustrada Sacconi.  São Paulo: Nova Geração, 2008.
OLIVEIRA, Gabriela Rodella; RODRIGUES, Flávio Nigro; CAMPOS, João Rocha. Português: A arte da palavra. 1 ed., São Paulo: AJS, 2009.  

3 de novembro de 2011

A diferença entre publicidade e propaganda

A diferença entre publicidade e propaganda.


A confusão entre os termos publicidade e propaganda, no Brasil, se originou quando as primeiras traduções foram feitas. Entenderam “advertising” como propaganda, logo quando alguém fazia a tradução de um livro ou artigo, os conceitos dos autores sobre o que é “advertising” eram convertidos e traduzidos como sendo os conceitos de propaganda. Na realidade, o termo propaganda vem de seu homônimo em latim “propaganda”, que significa semear idéias e ideais de cunho político, cívico ou religioso. A propaganda tem caráter ideológico e tem como objetivo fazer adeptos, seguidores e converter opiniões. Na América do Norte, muitas vezes o termo “propaganda” é entendido como pejorativo, como uma espécie de lavagem cerebral e sempre com fins políticos, cívicos ou religiosos (Veja um pouco da: História da propaganda).

Já o termo publicidade foi, e por muitas vezes ainda é, confundido com os esforços de relações públicas em gerar mídia espontânea e gratuita. Na realidade, o termo publicidade pode ser entendido de maneira genérica como o ato de tornar público e mais especificamente como “advertising”, ou seja, uma ferramenta de comunicação e marketing que tem como função e fim promover, utilizando os meios de comunicação nos espaços publicitários. Ou melhor, a ferramenta que utilizando os meios de comunicação e os espaços publicitários, com patrocinador identificado, tem como fim seduzir e tornar público, levando o consumidor à compra de determinado produto ou serviço. Podemos dizer que, enquanto a propaganda tem cunho político, cívico ou religioso, a publicidade tem cunho comercial.

A comunicação comercial é chamada pelos americanos de advertising, pelos franceses de publicité, pelos espanhóis de publicidad, pelos italianos de publicità e todos esses entendem o termo propaganda como comunicação política, cívica ou religiosa. O Brasil é um dos poucos países em que ainda confundem os termos, e isso acaba sendo perpetuado pelas traduções feitas de maneira equivocada. Canso de ver as definições, de "Kotler" e outros renomados autores internacionais para advertising, sendo traduzidas como a definição dos mesmos para o termo propaganda. Depois para explicar o termo publicidade confundem as definições de publicidade com os esforços de relações públicas em gerar mídia espontânea.



Para facilitar o entendimento da real diferenciação dos termos, vejamos o exemplo:

- O governo Brasileiro faz uma campanha na TV para divulgar e promover a idéia da utilização de preservativos no combate a AIDS. Isso é propaganda. Se nessa mesma campanha fosse divulgada alguma marca de fabricante de preservativos, isso seria publicidade.



Para finalizar:

Podemos, portanto entender que: Enquanto a publicidade é paga pelo fabricante ou distribuidor e em última instância pelo consumidor final do produto, proporcionalmente ao seu consumo. A propaganda é paga pelo cidadão, membro ou fiel seguidor da instituição (Governo, Igreja ou Partido político) que a financia e não proporcionalmente ao seu consumo. E até os esforços de relações públicas e patrocínio são sempre pagos de uma forma ou outra.


Mais uma confusão:

A utilização errônea de termos pelo mercado, há pouco tempo causou mais uma confusão: A inserção mecânica feita na parte editorial dos veículos de comunicação (tie-in), de tanto ser chamada erroneamente de merchandising (ação no ponto de venda), acabou por cunhar o termo “merchandising editorial”. Portanto, agora quando vemos em uma novela, por exemplo, um personagem utilizando um produto com marca identificada e promovendo esse, estamos diante de uma inserção mecânica chamada de “merchandising editorial” e não de publicidade, entendida de maneira mais restrita. Pois, enquanto a publicidade utiliza os espaços publicitários dos veículos, o merchandising editorial é inserido na parte editorial, mas todos os dois devem ter o anunciante identificado.


Autor: Dennys Monteiro
Texto disponível em: http://www.rg9.org/propagare.php

15 de outubro de 2011

3.2 Projeto de aula - Crônica e conto

AUTORA: Alessandra Marques Steffenon

ESTRUTURA CURRICULAR:
·  Modalidade/Nível de ensino: Ensino fundamental Final – 9º ano;
·  Componente curricular: Língua Portuguesa;
·  Tema: Análise lingüística: modos de organização dos discursos


DADOS DA AULA
O QUE O ALUNO PODERÁ APRENDER COM ESTA AULA:
·  Estudar as características da crônica e diferenciá-la do conto;
·   Comparar os gêneros crônica e conto;
·  Identificar semelhanças e diferenças nesses dois gêneros narrativos;
·  Reconhecer os elementos básicos da estrutura narrativa presentes na crônica e no conto;
·  Ouvir, ler e analisar crônicas;
·  Produzir crônica.



DURAÇÃO DAS ATIVIDADES
Oito aulas de 55 minutos.

CONHECIMENTOS PRÉVIOS:
·  Elementos básicos da estrutura da narrativa;
·  Interpretação de textos.

ESTRATÉGIAS E RECURSOS DA AULA:
·  Utilização de livro didático e livros de crônicas e contos;
·  Leitura de crônicas realizada pela professora e pelos alunos;
·  Audição de crônicas em aparelho de som;
·  Pesquisas na sala de informática e na biblioteca;
·  Estudo de textos (imagem e escritos);
·  Brincadeira “Prancha pirata”;
·  Produção de texto.

PASSOS PARA O DESENVOLVIMENTO
aLevar para sala livros de crônicas, em quantidade suficiente para o número de alunos da turma, com intuito de incentivá-los a iniciar a leitura na escola e levar o livro para continuar em casa. Tais livros podem ser buscados na biblioteca. Sugerimos a coleção da série “Para Gostar de Ler”. É importante que o livro contenha várias crônicas, assim o aluno terá mais opções de leitura e maior possibilidade de envolver-se.

aIniciar a aula lendo para os alunos a crônica “A velha contrabandista”, de Stanislaw Ponte Preta. A narrativa curta e humorística desperta o interesse.

A Velha Contrabandista
Stanislaw Ponte Preta

       Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.
       Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
       - Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
       A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
       - É areia!
       Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
       Mas o fiscal desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
        Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
        - Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
       - Mas no saco só tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.
- Juro - respondeu o fiscal.
- É lambreta.


aDisponibilizar os livros de crônica para os alunos lerem algumas em sala e incentivá-los a levar para ler mais em casa e no decorrer dos dias trocar os livros.

aPropor uma charge de Angeli para ser debatida.




aEstudar a notícia de jornal “Gabarito seria transmitido por mensagens de texto” (Folha de S. Paulo. 30 jan. 2006. Cotidiano) e da crônica “Torpedos”, de Moacyr Scliar (Folha de S. Paulo. 20 fev. 2006).
Levar os alunos a perceberem que um é fato verdadeiro, noticiado em jornal, e o outro, também publicado em um jornal, é ficcional, mas com base em um fato real, do cotidiano.

aDiscutir sobre a relação entre o jornalismo e a literatura, usando o livro didático “Português: A arte da palavra. 9º ano. Editora: AJS”.

aRealizar momento de leitura, em alguns momentos na biblioteca escolar e em outros a partir da troca de livros entre os alunos, que deverão fazer um breve comentário sobre o que leu, para que os colegas se interessem e também busquem ler.

aEstudar o texto “O nascimento da crônica”, de Machado de Assis.
http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ntc_l.php?t=044

aRealizar brincadeira “Prancha pirata”. Esta é a apenas a primeira etapa da brincadeira, que está dividida em três.
·  Material: Uma ripa (com aproximadamente 4 metros de comprimento), um livro e um cronômetro.
·  Desenvolvimento: A ripa será usada como a prancha pirata. Conforme a idade da turma, pode ser escolhida uma ripa que manque ou colocar uma tampinha metálica de garrafa com intuito de possibilitar que a prancha balance para os lados, aumentando, assim, o grau de dificuldade da prova. Fazer uma marca na prancha (a um metro do início), onde será deixado o livro. Para escolha do livro deve-se levar em consideração o gênero textual trabalhado com a turma, por exemplo, narrativas de aventura, crônicas o poemas, em nosso caso, devemos usar livro de crônicas. Dividir a turma em dois grupos. Cada participante deve iniciar o trajeto, pegar o livro, percorrer até o fim, voltar e deixá-lo no local marcado. Aquele que cair da prancha, apoiar-se com as mãos na prancha ou apoiar-se no chão, deverá reiniciar o trajeto. Vence o grupo que fizer o trajeto totalizando menor tempo, mas também devem ser destacados os progressos relacionados à psicomotricidade e ao trabalho em equipe.
·  Objetivo: Desenvolver habilidades psicomotoras, cooperação e contato com o livro.

aConvidar um aluno para ler “A última crônica”, de Fernando Sabino. Em seguida, ouví-la no CD das Olimpíadas de Português, disponibilizado pelo MEC. Explorar o título e questionamentos.

aDiscutir acerca da cronologia da crônica, usando o livro didático “Português: A arte da palavra. 9º ano. Editora: AJS”.

aRealizar brincadeira “Prancha pirata – em grupo”.
O que diferencia esta etapa da brincadeira é: Dividir a turma em dois grupos. Todos os componentes do grupo deverão passar pela prancha de mãos dadas. O primeiro da fila pega o livro e os demais o acompanham até todos saírem da prancha. Em seguida, passa o livro para o componente que saiu por último da prancha, pois esse será o primeiro a percorrer o trajeto de volta.  Quando ele chegar à marca, deixará o livro e todos os componentes do grupo deverão passar sem pisar o livro. Caso algum componente caia da prancha, apóie-se com as mãos na prancha, apóie-se no chão ou pise o livro, todo o grupo deverá reiniciar o trajeto. Vence o grupo que fizer o trajeto em menor tempo, mas também devem ser destacados os progressos relacionados à psicomotricidade e ao trabalho em equipe.

aEstudar o texto “A minha glória literária”, de Rubem Braga.

aPesquisar, em grupo e acompanhados pelo professor, sobre as características da crônica (usar a internet e, se possível, a biblioteca). Deixar que os grupos escolham os artigos a serem lidos na internet, contudo instigar a buscarem mais informações, principalmente quando o artigo tiver pouca informação. Sugerir um sobre a crônica e conto. Os alunos foram convidados a visitarem blogs e a observarem crônicas, atividade extraclasse. 

aProduzir o primeiro parágrafo de uma crônica.

aRealizar brincadeira “Prancha pirata – lendo”
A atividade consiste na terceira etapa da Prancha pirata. Dividir a turma em dois grupos. O primeiro participante do grupo pegará o livro e iniciará a leitura do texto selecionado. Os demais prosseguirão de onde o anterior tiver parado, sendo que apenas o último deverá deixar o livro na prancha, pois ao passar o livro para o colega terão de indicar onde pararam a leitura. Pegar o livro ao iniciar o trajeto e iniciar/continuar a leitura. Em seguida, percorrer a prancha até o fim, voltar e entregar o livro para o colega. Aquele que cair da prancha, apoiar-se com as mãos na prancha ou apoiar-se no chão, deverá reiniciar o trajeto. O grupo adversário deverá comentar o que foi lido, caso não consiga, o grupo que fez o trajeto comenta e recebe a pontuação. Vence o grupo que totalizar maior pontuação, contará tanto o trajeto em menor tempo, quanto o comentário do texto lido. Também devem ser destacados os progressos relacionados à psicomotricidade e ao trabalho em equipe, portanto, acrescentar-se-á uma bonificação referente a tal aspecto.

aEstudar parte do texto “O homem nu”, de Fernando Sabino (introdução e desenvolvimento).

aProduzir uma continuação para o texto. Após leitura das produções, apresentar o final produzido por Fernando Sabino e fazer comparação.

aRealizar momento de leitura.

aRetomar as características da crônica e debater com base nas pesquisas e nos estudos realizados em sala.

aRealizar pesquisa sobre as características da crônica e do conto. Sugerir, também, a leitura do texto “A crônica e o conto”, disponibilizado no blogprofessoraalessandra.blogspot.com.
http://blogprofessoraalessandra.blogspot.com/2011/06/cronica-e-o-conto.html

aRealizar momento de leitura, incluindo contos e comparando-os com as crônicas lidas, de forma a abordar semelhanças e diferenças.

aProduzir crônicas. Quando necessário, reescrevê-las a partir das orientações do professor.

aApresentar as crônicas para a turma e expô-las na escola.

2 de junho de 2011

"A crônica e o conto"

É comum confundirmos crônica e conto. O texto a seguir, publicado no site Recanto das Letras, auxilia compreendermos melhor as semelhanças e diferenças entre esses dois gêneros.

A CRÔNICA E O CONTO
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Estudos Literários
Onde termina a "crônica" e começa o "conto"? Esse é o questionamento que, não raro, tenho visto. Com efeito, muitas vezes a crônica confunde-se com o conto. Mas, que fique bem entendido, não é qualquer crônica que se assemelha ao conto. Quando a crônica recebe um tratamento literário em relação ao texto jornalístico, como o uso de várias figuras de linguagem, quando um pequeno enredo é desenvolvido, principalmente com diálogo; é que ela traça fronteiras muito próximas do conto. Tão próxima, que muitas vezes, é difícil estabelecer uma linha divisória. No entanto, podemos enumerar algumas características da crônica que podem ser confrontadas com as do conto.
Personagens
Enquanto o contista mergulha de ponta-cabeça na construção da personagem, o cronista age de maneira mais solta. As personagens não têm descrição psicológica profunda; são levemente caracterizadas (uma ou duas características), suficientes para compor seus traços genéricos, com os quais, qualquer pessoa pode se identificar: Fulano é distraído, Beltrano é mau-caráter e nacionalista xenófobo (que tem aversão a estrangeiros). Em geral, as personagens não têm nomes: é a moça, o menino, a velha, o senador, a mulher, a dona de casa. Ou, se têm, são nomes comuns, como: dona Nena, seu Chiquinho, seu Bonifácio, para só citar esses nomes. Às vezes, o cronista cria personagens, mas sempre a partir de uma matriz real, isto é, pessoas reais que se tornam personagens.
Narrador
Enquanto no conto o narrador (protagonista ou observador) é um personagem. Na crônica, o cronista sequer tem a preocupação de colocar-se na pele de um narrador-personagem ou observador. Assim, quem narra uma crônica é o seu autor mesmo; pois, o cronista parte de experiências próprias, de fatos que testemunhou (com certo envolvimento) ou dos quais participou:
Diz que era um menino de uma precocidade extraordinária e vai daí a gente percebe logo que o menino era um chato, pois não existe nada mais chato que menino precoce e velho assanhado. Mas deixemos de filosofias e narremos; diz que o menino era tão precoce que nasceu falando. (...). (PORTO, Sérgio; O Menino Precoce; in: Garoto Linha Dura)
Por isso, a crônica tem, quase sempre, um caráter confessional, autobiográfico. Em alguns casos a narrativa é feita na terceira pessoa através de pessoas reais que se tornam personagens envolvidas em acontecimentos reais.
O Assunto
O assunto de uma crônica é sempre resultado daquilo que o cronista colhe em suas conversas; das frases que ouve; das pessoas que observa; das situações que registra; dos flagrantes de esquina; dos fatos do noticiário; dos incidentes domésticos e coisas que acontecem nas ruas. Portanto, o assunto da crônica, geralmente, está centrado em uma experiência pessoal. Ao passo que o conto, não raro, é produto da imaginação, da ficção.
O cronista pode numa mesma crônica abordar diversos assuntos, desde que estes estejam ligados entre si por uma mesma linha de raciocínio.
O Desfecho
No conto há um conflito e, geralmente, um desfecho para ele. Como a finalidade da crônica é analisar as circunstâncias de um fato e não concluí-lo, o desfecho é, praticamente, inexistente.
"Vamos supor que você surpreenda um garoto pobre tremendo de frio e olhado fixamente para um pulôver novinho na vitrina duma loja. Ora, isso dá uma excelente crônica. Você relataria o flash, a cena em si, mas não o desfecho: o menino comprou ou não o pulôver? Nada disso. Acabando de "pintar" o quadro, terminaria o texto, deixando ao leitor a tarefa de refletir sobre a miséria, a fome, a má distribuição de renda, a injustiça social etc. É essa, muita vezes, a finalidade da crônica e a intenção do cronista. Seu texto não tem resolução, não tem moral como na fábula, é aberto para que cada leitor crie o final que melhor desejar. O cronista, no fundo, deseja que seu leitor seja um coautor.” (ASESBP, Associação dos Escritores de Bragança Paulista)
A Linguagem
O cronista procura trazer para suas crônicas a oralidade das ruas, isto é, ser oral no escrito. Daí ser predominante nas crônicas a linguagem coloquial e até popular, para introduzir um linguajar de bate-papo (do botequim, da esquina), de conversa-fiada; todos carregados de gírias.
"[...], pois o artista que deseje cumprir sua função primordial de antena do seu povo, captando tudo aquilo que nós outros não estamos aparelhados para depreender, terá que explorar as potencialidades da língua; buscando uma construção frasal que provoque significações várias (mas não gratuitas ou ocasionais), descortinando para o público uma paisagem até então obscurecida ou ignorada por completo." (SÁ, Jorge de. A crônica. São Paulo: Ática, 1985. Série Princípios)
O Diálogo
É a presença do diálogo na crônica, que faz com que ela se aproxime do conto. Mas, na crônica, o diálogo é forma de interação, que cria uma importante cumplicidade com o leitor, principalmente, através de perguntas lançadas ao ar; ou então, para manter um formato que se aproxime do bate-papo, sua característica marcante:
[...] parado às seis e meia da tarde na esquina das Avenidas Montagne com Champs Elysées, na certeza de que não encontraria um táxi, disse para o operador de rádio de uma emissora carioca que estava comigo: "O jeito é a gente ir de metrô".
E ele: "Comigo não, velhinho. Trem em cima da terra já dá bronca, não sou eu que entro num trem que corre num buraco". (PORTO, Sérgio; Cartão-postal; in: Rosamundo e os outros)
Conclusão
A crônica tem, hoje, uma linguagem própria, um espaço definido e independente - no jornal ou em qualquer outro veículo de comunicação. Não é superior ou inferior ao conto (como é classificada por alguns críticos).
"A crônica não é um ‘gênero maior’ [...] ‘Graças a Deus’, - seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura (...)." (CANDIDO, Antonio. Prefácio Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 1980.)
Ela é literatura graças ao trabalho consciente dos cronistas-escritores, que fizeram e fazem de seu ofício uma profissão de fé.
Machado de Assis, Olavo Bilac, Humberto Campos, Raquel de Queirós ou Rachel de Queiroz, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Rubens Braga, Paulo Mendes, Paulo Francis, Arnaldo Jabor, Érico Veríssimo e tantos outros, cultivaram-na ou cultivam-na com peculiar engenhosidade, criatividade e assiduidade. ®Sérgio.
Veja Também: (clique no link)
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Ajudaram na construção deste texto: Eduardo Portela - Visão Prospectiva da Literatura Brasileira. Assis Brasil - Vocabulário Técnico de Literatura. Massaud Moisés - A Criação Literária.
Agradeço a leitura e, antecipadamente, qualquer comentário.
Se você encontrar omissões e/ou erros (inclusive de português), relate-me.
Ricardo Sérgio
Publicado no Recanto das Letras em 16/12/2007
Código do texto: T780257


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